A cor de Coraline

O livro A Cor de Coraline, de Alexandre Rampazzo, é uma daquelas obras que parecem simples à primeira vista, mas que carregam uma potência enorme quando levadas para a sala de aula

DE 6 A 8 ANOS

2/27/20263 min read

A Cor de Coraline: diversidade, imaginação e novos futuros possíveis

O livro A Cor de Coraline, de Alexandre Rampazzo, é uma daquelas obras que parecem simples à primeira vista, mas que carregam uma potência enorme quando levadas para a sala de aula — especialmente na Educação Infantil.

A história parte de uma situação aparentemente comum: Coraline está na escola, com sua caixa de 12 lápis de cor, quando um colega pede emprestado o “lápis cor de pele”. A partir desse pedido, algo muito interessante acontece. A cabeça de Coraline “explode” em pensamentos, questionamentos e imaginação. Afinal, o que é “cor de pele”?

Esse pequeno episódio abre espaço para reflexões profundas, mas totalmente acessíveis às crianças.

Muito além da aula de Língua Portuguesa

Embora a leitura literária costume aparecer com mais frequência nas aulas de Língua Portuguesa, A Cor de Coraline também dialoga diretamente com a aula de Artes. A ambientação da história remete ao universo da pintura, do desenho, da criação. O livro convida as crianças a olharem para as cores não apenas como algo dado, fixo ou padronizado, mas como possibilidade.

A caixa de 12 lápis de cor simboliza limites — mas também possibilidades criativas. Quando o colega pede o “cor de pele”, o que está implícito ali é um padrão: aquele rosa clarinho que historicamente foi nomeado como se representasse todas as peles. Coraline, no entanto, amplia essa ideia. Ela pensa na própria pele, na própria identidade, na própria cor.

E então ela entrega um lápis marrom.

Diversidade como ponto de partida

O livro nos conduz a refletir sobre diversidade de forma muito delicada e potente. Diversidade de tons de pele, de cabelos, de traços, mas também diversidade de perspectivas, de imaginação e de modos de ver o mundo.

Coraline não questiona apenas a ideia de uma única “cor de pele”. Ela nos leva a imaginar múltiplas possibilidades. Sua criatividade extrapola a questão racial e nos conduz para reflexões sobre identidade, pertencimento e representação.

Para as crianças pequenas, essa é uma oportunidade preciosa de:

  • reconhecer a beleza das diferenças;

  • perceber que não existe apenas um padrão;

  • valorizar a própria identidade;

  • respeitar a identidade do outro.

Inclusão e abertura para o novo

Um dos momentos mais simbólicos da história acontece quando o colega aceita o lápis marrom e pinta com ele — mesmo não sendo a cor da sua própria pele.

Esse gesto simples é carregado de significado. Ele representa abertura, curiosidade, disposição para experimentar o novo. Representa também a possibilidade de imaginar o mundo de outras formas.

Trabalhar essa cena com as crianças pode gerar conversas riquíssimas:

  • Por que usamos sempre o mesmo lápis para pintar a pele?

  • Existem várias cores de pele?

  • Como podemos representar as pessoas de forma mais real?

Essa discussão contribui não apenas para a valorização da diversidade étnico-racial, mas também para a formação de crianças mais sensíveis, empáticas e abertas ao diferente.

Criatividade, imaginação e novos mundos possíveis

A potência do livro não está apenas na crítica ao padrão da “cor de pele”, mas na forma como a imaginação de Coraline transforma a situação.

Ela sonha. Ela imagina. Ela cria possibilidades.

E é exatamente aí que mora uma das maiores riquezas da literatura infantil: permitir que as crianças sonhem outros mundos possíveis.

Quando abrimos espaço para que elas questionem padrões, estamos também abrindo espaço para que construam novos futuros. Futuros mais inclusivos, mais plurais, mais justos.

Trabalhando em sala de aula

Algumas possibilidades de exploração pedagógica:

  • Propor que cada criança crie sua própria “cor de pele” misturando tintas;

  • Conversar sobre diferentes tons de pele presentes na turma;

  • Trabalhar autorretrato com variedade de materiais;

  • Discutir a importância de respeitar as diferenças;

  • Relacionar com temas como identidade, pertencimento e representatividade.

A Cor de Coraline é um convite à reflexão, mas também à criação. É um livro que nos ajuda a formar leitores críticos e, principalmente, crianças que aprendem desde cedo que o mundo pode ser visto por muitas cores.

E talvez seja exatamente isso que precisamos cultivar: crianças que não aceitam o mundo como ele está dado, mas que se sentem capazes de imaginá-lo de outra forma.